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domingo, 11 de setembro de 2011

Incompatibilidade

Acidente no Itaim Bibi
Se beber, por que não dirigir? O Supremo Tribunal Federal, instância máxima jurídica no país, em uma decisão polêmica, desclassificou o dolo de um homicídio ocasionado por motorista que ingeriu álcool, ao analisar um caso em que o motorista bêbado provocou um acidente.   Em acidentes que envolvam embriaguez ao volante o dolo (intenção) é considerado eventual (a pessoa assume o risco de matar ao andar em alta velocidade ou após ter consumido bebida alcoólica). Agora, este precedente pode influenciar futuras decisões de diversas instâncias jurídicas no país. A extensão do benefício é praticamente certa, e deve ‘agraciar’ casos como o da nutricionista Gabriella Guerrero Pereira e do engenheiro civil Marcelo Malvio de Lima, que foram indiciados pela polícia. Gabriella porque, numa Land Rover, atropelou e matou Vitor Gurman, 24. Ela teria bebido e estaria acima da velocidade permitida. Lima, por sua vez, num Porsche, chocou-se com a Tucson de Carolina Cintra Santos, 28, que furou o sinal. Para a polícia, ele estava em alta velocidade e teria bebido.

Esclarecendo: em um homicídio doloso simples, as penas vão de seis a 20 anos de reclusão. Já em um homicídio culposo, quando não há intenção de matar, a pena máxima é de quatro anos, mas, mesmo em uma eventual condenação, as penas podem ser transformadas em não privativas de liberdade, com alternativas como o pagamento de cestas básicas. A discussão sobre o tema é ampla e complexa. O jovem que saí para se divertir na noite de sua cidade, está apenas curtindo a festa, e acredita que não se envolverá em um acidente de trânsito no retorno para sua casa mesmo alcoolizado. Neste caso, a intenção de matar existe?  Onde fica a imprudência em assumir o volante fora de suas condições normais? A tolerância zero da famosa ‘Lei Seca’ é motivo de chacota em mesas de bar. Quem bebe e dirige, geralmente comemora com sarcasmo o seu ‘radar’ que detecta às blitz e o livra das punições. Punições? Ah sim, pagando uma multa e dependendo da gravidade do acidente, algumas cestas básicas resolvem o problema. A nova forma de legislar separa-se da vontade da sociedade e deve tornar as campanhas educativas obsoletas, sem sentido. Entre beber e dirigir a escolha certa é duvidosa.

Foto de Fernanda Simas, IG, São Paulo
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sábado, 5 de março de 2011

Professores do Samba

Uma discussão travada numa das salas da Sociedade Brasileira de Autores, em fins da década de 60, colocou a seguinte pergunta à Donga e Ismael Silva. Qual o verdadeiro samba?

Donga diz:
_Ué. Samba é isso, há muito tempo:
“O chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar, que na Carioca tem uma roleta para se jogar...”

Ismael retruca:
_Isso é maxixe.

_Então o que é samba?

E Ismael cantarola:
"Se você jurar que me tem amor, eu posso me regenerar..."

Então Donga completa:
_Isso não é samba, é marcha!

De acordo com a Biblioteca Nacional, o primeiro samba registrado no país foi “Pelo Telefone”, de Donga, em 1916. A discussão acima entre os grandes sambistas refere-se a forma do samba. Entre 1917 e 1927, o samba era feito nos “ranchos”, casas como a da Tia Ciata, principalmente em rodas que privilegiavam o Partido Alto: uma pessoa dançava por vez, acompanhada por palmas, cavaquinho, pandeiro, violão e até instrumentos de sopro. Mas existia também o samba corrido onde todo mundo sambava e cantava. Este samba no período do carnaval era levado as ruas em passeatas que atraiam foliões representando pastores em roupas de cores vivas e outros personagens que lutavam contra a figura principal que dava nome ao rancho. Um exemplo interessante é o Grupo de Caxangá que saía por diversão durante o carnaval, com os integrantes fantasiados de nordestinos, comandados pela flauta de Pixinguinha. Do fim da Primeira Guerra Mundial a 1927, o samba estabeleceu suas raízes e se profissionalizou. As gravações deste período marcam o fim das gravações mecânicas e o advento do sistema elétrico – guardam entre eles a marca sonora do seu parentesco com os sambas do partido alto dos baianos, que soavam ainda como eco de suas origens rurais no recôncavo.

Foi então preciso que uma nova geração de talentos, já agora saídos das camadas baixas cariocas, igualmente herdeiras de uma tradição local de sambas de roda à base de versos repetidos, fizesse sua contribuição definitiva para a carreira comercial do gênero: o samba batucado e marchado da Estácio.O bairro do Estácio, na zona norte do Rio, foi abrigo desde o início de uma população proletária, com pequenos comércios e atividades artesanais. A proximidade com a zona de prostituição do Mangue, atraía para os seus muitos bares os bambas das zona – os tipos especiais de indivíduos que viviam da exploração do jogo ou das mulheres. Esse tipo de personagem na época ficou conhecido como malandro. E não demorou muito para que os malandros se reunissem para organizar um bloco, que se tornou um sucesso. Surgia o embrião da primeira escola de samba em 1927: a “Deixa Falar”. Essa nova forma de samba urbano arquitetado por Ismael Silva e outros – conhecido como samba carioca – afastou-se definitivamente do modelo do partido alto dos baianos, quando foi introduzido o surdo de marcação por Alcebíades Barcelos. De fato, o som desse tambor empurrava o samba para frente e o deixava mais solto pelas ruas, mas, ao mesmo tempo por oposição ao movimento do partido alto (que neste ponto se aproximava do maxixe), havia o risco de simplificação ao nível de marcha ao acelerar o ritmo. Tal diferença ficaria representada na discussão travada na década de 60 entre Donga, o filho de baiana que marcou o partido alto em 1916, e Ismael Silva, carioca, pioneiro dos sambas do Estácio. Bate boca e debates a parte, ambos tiveram uma participação decisiva nos moldes do carnaval e sambas modernos. Para saber mais sobre a “Deixa Falar” – (leia aqui) mais sobre a história da primeira escola de samba.

Foto retirada deste link
 
Fontes:

Escolas de samba – O que, quem, como, onde e por que – Sérgio Cabral
História Social da Música Popular Brasileira - José Ramos Tinhorão Follow Fabricio_blog on Twitter

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Fim de relacionamento

No canto escuro de um restaurante, por telefone, ou até e-mail, a desculpa para terminar um relacionamento é sempre igual. O que mudam são os rostos, e o tamanho do sapato de quem chuta. Por que as frases fazem parte de um “manual” mecânico de afastamento, dependendo da proximidade/tempo do casal abalado. Tomar chá de sumiço, inventar uma longa viagem ou dizer que não quer se envolver por causa de inúmeros problemas são os meios mais utilizados para relações de tiro curto. Também é normal ficar confuso para tirar o corpo fora “acabei de terminar um relacionamento, e ainda não estou pronto”. Mas falar isso não é muito recomendado por exigir muita de cara de pau.

Já em um namoro de mais tempo, o que pode começar a abater o amor é a pessoa começar a fazer tudo aquilo que a outra detesta (deixar cueca na sala, comida destampada na geladeira ou a tampa do vaso sanitário levantada). Essa atitude pesa muito seguida do famoso toco dos altruístas: “o problema sou eu e você merece alguém melhor”. Sem dúvida essa frase isola a bola do campo de jogo, por que ninguém sabe o que falar depois de ouvir uma asneira dessa. Mas existem expressões que geram comportamento inverso. “Você não é mais aquela por quem eu me apaixonei”, pode elevar o tom da discussão, iniciar uma, ou até terminar em ferimento se a conversa for realizada na cozinha. É meus amigos, terminar um rolo, caso, namoro não é simples não. Se você precisa de um tempo (afinal o carnaval ta chegando), quer se concentrar no trabalho (por causa de uma promoção importante que está no horizonte) e não quer mais utilizar o velho e manjado manual, o jeito é dar o “toco kamikaze”. As frases "não quero mais nada com você", e "vejo você apenas como amiga" podem ser traumáticas, mas ainda são as mais efetivas.

Foto retirada deste link
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A montanha dos Sete Abutres - Mineiros no Chile

A montanha dos Sete Abutres
A notícia ruim é a melhor, porque vende mais, e traz muitas vezes o espetáculo junto de sí. "Eu posso cuidar de grandes notícias e pequenas notícias, e se não houver notícias eu saio e mordo um cachorro", diz Charles Tatum, no clássico filme “A montanha dos Sete Abutres”, de 1951. O jornalista ou estudante de jornalismo que ainda não assistiu à aula que o filme dá, deve correr para assistir. São reflexões tão atuais que mal se pode acreditar que tenha sido feito há 60 anos. A história do filme é simples. Um jornalista desempregado nos grandes centros que tem uma conduta questionável, busca refúgio em pequeno jornal em busca de voltar a obter sucesso em suas matérias. No caminho de uma pauta que o personagem Charles Tatum, interpretado por Kirk Douglas, considera entediante, ele se depara com uma matéria que pode levá-lo de volta ao grande circuito: um homem preso em velhas ruínas indígenas, justamente na Montanha dos Sete Abutres. O drama humano, as circunstâncias reais ou inventadas pelo repórter para a trama e a abordagem sensacionalista logo chamam a atenção do público. A sociedade do espetáculo se manifesta em sua totalidade. O “circo” midiático é armado e o repórter controla, manipula, e por fim, obriga o empreiteiro responsável pelo salvamento a adotar um método de resgate que demoraria uma semana, em vez de outro que libertaria a vítima em menos de 24 horas, pois, é necessário prolongar o espetáculo ao máximo. O filme dirigido por Billy Wilder, é um clássico, envolvente como “Cidadão Kane” e possui um enredo de oportunismo, muito bem estruturado. De 1951 para 2010, da ficção para a realidade, o jornalismo não muda em nada. Revistas, jornais e programas de televisão, montaram o mesmo cenário espetaculoso no caso dos 33 mineiros que estão presos a 700 metros de profundidade, depois do deslizamento na mina San José a pouco mais de 1 mês. As semelhanças contidas nas histórias são notáveis e me fazem crer cada vez menos no jornalismo que sou apaixonado e que me fascina.   
Leia mais sobre os chilenos presos na mina:

Foto de divulgação do filme retirada deste link
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Homenagem ao centenário de Adoniran Barbosa

Meu peito parece táubua de tiro ao álvaro e não tem mais onde furar. Isso porque levei tanta frechada do teu olhar que ficou claro o que ocorreu. É uma paixão intensa que acende muita lenha no fogão, afinal, sou brasa em fogo que não apaga. Quando te achei, havia tanta coisa pra te dar, havia lua cheia sobre o mar, espanto e amor. A minha vida vazia, meus vinte anos de espera e de grande melancolia, se encheram de esperança. Quando você aparece na Avenida São João, até o sol enlouquece e se esquece da obrigação. Quero sair para passear nesse domingo cheio de luz, com passarinhos cantando, as plantas, o céu azul. Vou sair com a namorada, depois vamos ao cinema, pipoca, pastel e garapa, com a felicidade como lema. Mas a noite chega e terei de ir. Sinto muito amor, mas moro em Jaçanã e se eu perder esse trem que saí as onze horas, só amanhã de manhã. Quando o dia clarear, eu venho te buscar para ir ao samba que o Arnesto nos convidou. Tudo bem que a última vez nos fumos e não encontremos ninguém, e voltemos com uma baita reiva. Mas é melhor que ir ao samba no bexiga na casa do Nicola. Não lembro se te contei. A mesa não deu conta e saiu uma baita duma briga. Era só pizza que avuava junto com as braxola. Nóis era estranho no lugar e não quisemo se meter, porque não fumos lá pra brigar, nóis fumo lá pra come, e na hora “h” se enfiemo debaixo da mesa. Depois de ir no Arnesto, vamos armoçar, sentados na calçada, conversar sobre isso e aquilo, coisas que nóis não entende nada. Podemos, puxa uma paia, andar um pouco pra fazer o quilo e vou te mostrar um edifício alto, onde existia uma casa velha, um palacete abandonado. Foi lá, que eu, Mato Grosso e o Joça, construímos nossa maloca. Nem quero lembrar do dia que veio os homi cas ferramentas derruba e nóis fumo pro meio da rua. Duia no coração e o Mato Grosso quis grita, mas em cima eu falei que os homi ta cá razão, e nóis arranja outro lugar. Mas só se conformemos quando o Joca falou: “Deus dá o frio, conforme o cobertor”. Valeu a pena. Posso te dizer que na saudosa maloca nóis passemo dias feliz de nossas vidas.
“ Pra Adoniran tiro o chapéu
E como diz o ditado:
Quem a todos cumprimenta
Também é cumprimentado...”



Fonte:
http://letras.terra.com.br/adoniran-barbosa/

Foto retirada de:
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://jornale.com.br/zebeto/wp-content/uploads/2009/03/adoniran-barbosa.jpg&imgrefurl=http://jornale.com.br/zebeto/page/442/&h=506&w=500&sz=29&tbnid=dyZXh33bSjUWTM:&tbnh=226&tbnw=223&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Badoniran&hl=pt-BR&usg=__4EIJhphytuyXmt0UT_OB_GMi-XQ=&sa=X&ei=cCFsTKzdEML98Aal7-WgCw&ved=0CB8Q9QEwAQ Follow Fabricio_blog on Twitter

sábado, 27 de março de 2010

Entre a neblina e o abandono

As promessas não cumpridas e a tristeza do abandono se perdem entre a neblina e os ecos de um passado brilhante: locomotivas a vapor, vagões de madeira utilizados por D.Pedro II, e todo maquinário do sistema funicular – que até 1974 locomovia os trens por tração através de cabos de aço. A histórica Vila de Paranapiacaba, no distrito de Santo André, sofre pelo descaso das autoridades. De acordo com reportagem do jornal “Estado de São Paulo” (14/03), o museu mantido pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, no antigo leito da linha férrea está fechado desde janeiro por falta de energia elétrica. Quando fui a Paranapiacaba, no final do ano de 2008, para fazer uma reportagem, fiquei entusiasmado com o charme do local, crescimento do turismo (trilhas e passeios), e com tanta história. Uma delas é pouco conhecida. A companhia inglesa, fincada no Brasil com o nome São Paulo Railway, instalou o sistema tecnológico mais avançado para e época e operava toda a linha criada para facilitar o translado que antes era feito no lombo do burro. Eram sinais de avanço no transporte do café em 1867. Com isso, muitos ingleses vieram morar no local. Um deles era Charles Miller, um garoto nascido no Brás, filho de um escocês que atravessou o Atlântico para trabalhar no “novo mundo”. O pai do futebol que trouxe a bola para nosso país, fez o esporte começar a ganhar adeptos na Vila. A partir daí surgiu um dos times mais antigos do país, o Serrano de 1903, e o primeiro campo feito especialmente para o futebol. O estudioso Eduardo Pin, explica melhor no áudio abaixo o que quero sintetizar, em uma entrevista concedida a este blogueiro em 2008. Realmente lamentável, é verificar que em 2 anos, o local histórico que almejava ser patrimônio da humanidade, hoje perde para o descaso da prefeitura de Santo André.


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segunda-feira, 15 de março de 2010

Falsa invasão

Usar o jornalismo como espetáculo é andar em cima de muro fino, com a possibilidade de cair a qualquer instante. A função pública de levar as notícias de interesse público a casa das pessoas não é levado a sério em programas sensacionalistas. Foi o caso de um programa de TV na Geórgia que provocou pânico nos cidadãos – foram registrados casos de muitas pessoas que tiveram enfartes, desmaios e taquicardia ao assistir uma invasão russa que supostamente derrubou o presidente. Mas a invasão ocorreu em 2008. Tratava-se de uma “simulação de eventos possíveis” com a representação de imagens de arquivo, de acordo com o canal de televisão. A confusão se generalizou porque uma breve advertência foi feita somente no início do programa. É óbvio que muitos telespectadores que caíram de “pára-quedas” tomaram as imagens e a narrativa como se estivesse acontecendo no momento. Quando li essa notícia neste domingo, na hora me recordei da transmissão radiofônica, em 1938, que ficou mundialmente famosa por causar pânico nos ouvintes, que acreditavam estar enfrentando uma invasão alienígena. “Um Exército que ninguém via, mas que acabara de desembarcar no nosso planeta.” Essa era uma dramatização produzida por Orson Welles, intitulada “A Guerra dos Mundos”, mas só sabia disso quem estivesse acompanhando o programa de rádio desde o começo. A concepção negativa da mídia que manipula, aliena, e engana da Escola de Frankfurt, estão bem vivos e espalhados pelo mundo e pelos conglomerados. A manipulação do pensamento coletivo está presente diariamente na vida das pessoas. Abrir os olhos e os ouvidos não é assim tão fácil como se pensa.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A arte da conquista

É natural a dificuldade de achar um amor verdadeiro, em qualquer lugar do mundo. Não há endereço, ou hora marcada para o acaso. A pessoa certa pode ter acabado de passar por você na rua e trocado um olhar que passou despercebido. Isso acontece todos os dias na correria urbana e é necessário manter a positividade. A fórmula para a paixão e o romance é estar bem consigo mesmo em primeiro lugar. Aí é possível ficar de olhos e braços abertos para dar de cara com a tampa da sua panela. Esquentar a cabeça porque? Sempre de bem com a vida, encontrar a mulher ‘perfeita’ é um bom mistério a ser desvendado. Não para o inglês Peter Backus, professor de economia da Universidade de Warwick. Ele vive em Londres, tem 31 anos e não idealizou nada em especial na parceira ideal, pedindo apenas que ela fosse uma mulher radicada em Londres, com idade entre 24 e 34 anos, e também com formação universitária. Então Backus, em busca de respostas, calculou que tem 0,00034% de chances de encontrar um amor na capital inglesa, usando a equação Drake, que é aplicada por cientistas para determinar o número potencial de extraterrestres na nossa galáxia. Isso significa que há por volta de 10,5 mil mulheres no Reino Unido que preenchem todos os critérios de Backus, e há mais ou menos 10 mil civilizações com potencial de comunicação que podem existir na Via Láctea, de acordo com a equação Drake. O fim do raciocínio do professor permite afirmar que encontrar um verdadeiro amor em Londres é tão raro quanto encontrar alienígenas na galáxia. Respeito ás preferências de cada um, mas exigência e pensar demais só traz a solidão para perto. O anti Don Juan deveria se preocupar menos com números, e mais com palavras, olhares, sorrisos, afinal, a conquista é uma arte e os Et´s sétima arte. 
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sábado, 6 de fevereiro de 2010

A história se repete

Está ficando repetitivo escrever sobre as chuvas que atormentam a cidade de São Paulo, mas lá vou eu novamente abordar o assunto que é prato cheio para o sensacionalismo. A rotina da cidade tem mudado com tanta água caindo sobre a selva de concreto. Para marcar um encontro com alguém no período da tarde, a pergunta que sopra no ar é se agendar antes ou depois do pé d’água. Há 46 dias a chuva não para, e o caos se instala na cidade, com o exemplo mais claro no Jardim Romano. Os problemas se multiplicam com as casas em zona de risco e até mesmo em bairros sem histórico de alagamentos. Segundo dados do Centro de Gerenciamento de Emergência da Prefeitura, nos quatro primeiros dias de fevereiro, já choveu 37% da média esperada para todo o mês na capital paulista, que é de 217 milímetros. O castigo que a cidade sofre diariamente fez a paulicéia ter prejuízos na casa dos milhões de reais, de acordo com pesquisadores da USP. Se a famosa frase diz que “depois da tempestade vem a bonança”, São Paulo nem quer tanto. Só espera uma trégua dos trovões, raios, ventos fortes e de tanta água que afoga nossa alegria de viver. Ninguém agüenta mais esperar um trem que nunca chega, ficar sem luz por 12 horas, ter seu carro atingido por uma árvore, sempre com o pé enfiado na água barrenta, em meio ao lixo que bloqueia as bocas de lobo. A única coisa boa que será lembrada ao final do verão de 2010, será a atuação heróica dos homens do Samu, Defesa Civil e Bombeiros. Os fatos tristes serão esquecidos, primeiramente pela imprensa e depois pelos governantes. É triste constatar que é uma história que se repete, e se repete.

Segundo um balanço da Companhia de Engenharia de Tráfego, 167 árvores caíram em vias da capital somente na última quinta-feira. A foto acima foi tirada por este blogueiro na rua Nova Cidade, próxima a Alvorada, no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Faça da sua bike um veículo

Este blog desde o início defende a utilização da bicicleta como um meio de transporte, mas disputar espaço entre automóveis, motos, ônibus e caminhões é uma tarefa arriscada na maior cidade do país. A falta de ciclovias já foi diversas vezes enfatizada e a discussão ganha contornos pesados com a nova pista que São Paulo ganhará no mês que vem entre o rio Pinheiros e a linha dos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Esse trecho terá 14 km da estação Vila Olímpia às proximidades da estação Autódromo, na região de Interlagos, na zona sul da capital. A finalização do projeto totalizará 22 km de extensão, até o parque Villa-Lobos, mas esse trecho ainda não tem data para ser concluído. No caminho, haverá acessos ao campus Butantã da USP (Universidade de São Paulo) e também ao parque do Povo, no Itaim Bibi. É fundamental abrir espaços especialmente sinalizados para as bikes, inclusive com postos de apoio ao ciclista. A idéia é ótima e felizmente saiu do papel, porém no início haverão somente duas entradas - na estação Vila Olímpia e nas imediações da estação Autódromo. Creio que a obra deveria ser totalmente finalizada para facilitar o acesso em viadutos que passam sobre o rio, e em outras estações da CPTM. Estou criticando a inauguração apressada, mas bato palmas para a atrasada iniciativa, que é a primeira pedalada para fazer das nossas bicicletas um veículo que além de saúde e prazer, lhe trará um modo eficiente e mais seguro de se deslocar pela cidade.
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sábado, 9 de janeiro de 2010

Nova era

Nesta primeira postagem do ano, desejo a todos os leitores do blog muita paz e prosperidade. Hoje gostaria de escrever algo que tivesse uma mensagem positiva e de alegria, mas começo o mês fazendo a triste constatação que estamos em uma nova era. Não me refiro a 2010, mas sim as mudanças que aos poucos observamos no clima do planeta. Nesta semana, a pauta dos principais jornais do país falam sobre o frio intenso no hemisfério norte, e as chuvas que marcaram novas tragédias por todo o Brasil. São impressionantes as imagens de destruição registradas em São Luiz do Paraitinga, Cunha, Angra dos Reis, Ilha Grande, etc. E o que fazer para evitar tantas mortes e pessoas desabrigadas? A tendência é culpar os governantes, que se esquivam da responsabilidade, alegando fenômenos naturais extremos. Ambos os lados tem razão, mas as autoridades precisam evitar a ocupação em terreno onde possa ocorrer um incidente. Em segundo lugar é necessário monitorar e retirar as famílias de áreas perigosas. As pessoas atingidas continuam a depender quase que unicamente do heroísmo de bombeiros, de grupos de defesa civil, de voluntários que, não raro, aparecem nos noticiários impotentes diante da desproporção entre suas forças e a enormidade da perda e da dor. O aumento de chuvas estava previsto, por encontrar-se em curso o fenômeno climático El Niño, um aquecimento incomum das águas do Pacífico junto à América do Sul. A anomalia costuma aumentar a precipitação na região Sudeste e, como preveem alguns estudos, poderá tornar-se mais frequente com a mudança global do clima. E aí entram as medidas que os principais chefes de estado apresentaram na Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que foi realizada em dezembro, em Copenhagen, Dinamarca. Mas a convenção foi um desfile de belas palavras jogadas ao ar e o resultado foi pífio. Foram vários dias de bons discursos e nenhuma proposta eficaz. A nova era se apresenta diante de nossos olhos incrédulos. Gostaria de ser otimista, mas estamos diante do fato que o ser humano só pensa em sí mesmo. Até quando os próximos 50 anos vão dizer.
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Itinerário de alto custo

Quando disputou a reeleição à Prefeitura de São Paulo em 2008, Gilberto Kassab (DEM) havia dito que não aumentaria a passagem do transporte coletivo neste ano. Pois bem. A promessa foi cumprida, mas na primeira semana de 2010, haverá aumento. As tarifas de ônibus em São Paulo vão custar R$ 2,70 a partir do dia 4 de janeiro. Kassab confirmou o reajuste de 17,4% na passagem, que hoje custa R$ 2,30. A integração com o metrô passará de R$ 3,65 para R$ 4,00. Com o aumento, a tarifa cobrada em São Paulo, será uma das mais caras do país. A prefeitura alega que ocorreram melhorias no transporte público, como a renovação da frota e a extensão de duas para três horas do período de utilização do bilhete único. É um argumento bem furado da prefeitura, e digo isso com a propriedade de quem utiliza todos os dias os maltratados ônibus da cidade. Este pulo de 40 centavos na passagem, vai ocorrer acima da inflação acumulada no período -o IPCA (índice oficial de inflação) deverá ficar em torno dos 15,5%. O aumento da tarifa de ônibus na capital, ao menos desde julho de 1994, sempre é acima dos índices de inflação. Kassab afirmou que espera a compreensão dos usuários e recorda que a população deve lembrar que as passagens não eram reajustadas desde novembro de 2006. Nem vou comentar nada sobre o aumento absurdo do IPTU em algumas regiões da cidade. É imposto, taxa, tarifa alta, e não existe costura para evitar o esvaziamento no bolso do cidadão. O itinerário que a cidade adota, leva SP cada vez mais para caminhos tortuosos.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O espetáculo da imprensa

A relação médico-paciente sempre foi rodeada de complexidade na atuação ética do médico. O caso do especialista em reprodução humana Roger Abdelmassih, toca profundamente nesta questão. O fato foi amplamente divulgado pela imprensa e muitos veículos já tomaram a decisão final: o médico é culpado. O Ministério Público acusou Abdelmassih e a justiça acatou denúncias de crimes sexuais, manipulação genética e evasão fiscal, o que o levou à prisão e também acarretou a suspensão temporária de seu registro profissional pelo Cremesp. As tentativas de hábeas corpus foram negadas pelo Tribunal de Justiça e pelo Superior Tribunal de Justiça. Alguns pontos precisam ser ressaltados nesta história: a primeira denunciante foi uma ex-funcionária demitida; a maioria dos alegados ilícitos ocorreu ainda na década de 1970 e só agora vão se somando mulheres a serem ouvidas pela polícia para instrução do devido inquérito criminal. Haveria uma conspiração para obter condenações no CRM e na Justiça criminal para a obtenção de indenizações? Ou Roger Abdelmassih cometeu os crimes e é culpado? Estas respostas só podem ser dadas em um Tribunal e o sistema Judiciário brasileiro respeita uma premissa básica: todo cidadão é inocente até que se prove o contrário. Essa é uma garantia fundamental do Estado de Direito, sem a qual todo e qualquer cidadão está sujeito à arbitrariedade. O comportamento de boa parte da imprensa não respeita essa premissa. Algumas revistas de grande circulação, blogs, jornais e outros veículos condenaram Roger Abdelmassih. De outro lado poucos o defendem ardorosamente. O papel correto da mídia neste caso é manter-se imparcial como preza o bom jornalismo, ouvindo todos os envolvidos.

A imprensa deveria tratá-lo como réu, não como condenado. O lugar de seu julgamento é um tribunal, não a praça pública. É preocupante perceber que nossa liberdade individual e dignidade podem ser confiscadas por quem deveria salvaguardá-las. A mídia tem o papel de informar e não de polemizar e criar dúvidas. Alguns veículos alimentaram o espetáculo e espremeram o assunto até a pauta começar a esfriar. Surge um furor coletivo pela punição médico que foi transformado em monstro. Analisando o caso de Abdelmassih, muitos chegaram a lembrar o caso da Escola Base. Em 1994, donos e funcionários foram acusados de estuprar alunos. Os envolvidos tiveram suas vidas destruídas. A escola foi depredada e fechada. Um programa de TV pediu pena de morte aos "pedófilos". Anos depois, a investigação foi concluída e o casal foi inocentado. Não havia evidência do crime, mas era tarde. O dano já havia sido feito. Hoje a história pode se repetir com o médico Roger Abdelmassih. As dificuldades que os jornalistas enfrentam para cobrir o caso não justificam de maneira nenhuma nem a defesa, nem a demonização do médico. Os jornalistas não têm acesso aos autos do processo, pois o mesmo corre em segredo. Outro ponto que deve ficar claro é que o médico se recusou a dar entrevistas e somente concedeu a palavra a uma revista. O caso de Abdelmassih é difícil e deveria ter sido tratado com muita cautela. O final dessa história deve ensinar mais uma grande lição a imprensa. Se for comprovada a inocência do médico, danos irreparáveis terão sido cometidos e será praticamente impossível reparar a situação da imagem de Roger. Ao contrário, se a condenação do médico em última instância for confirmada, e Abdelmassih for considerado culpado, boa parte da mídia irá respirar fundo, aliviada de um grande constrangimento, mas sua atuação no caso já terá sido desastrada. Uma coisa é certa: A sorte está lançada e não deve cair no esquecimento. A nós, leitores, ouvintes e telespectadores, resta ao menos uma constatação: inocente ou não, Roger Abdelmassih vai sair com sua imagem manchada, e sem dúvida com muitos prejuízos.

Fontes:

Folha de São Paulo
Observatório da Imprensa
Revista Veja


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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Relato de um morador de rua

Para quem não conhece, o fim de tarde no centro de São Paulo é sempre o mesmo. É só os comerciantes fecharem as portas e os viciados em drogas - também chamados de noias aparecem - para começar as sessões incessantes de uso de crack. Os usuários viraram os donos da rua. Dezenas de pessoas, inclusive crianças e adolescentes, circulam em bandos. O lugar que é conhecido como cracolândia não tem mais um lugar fixo no bairro da Luz. Muda de endereço quase todas as noites, e lá as pessoas consomem, vendem crack, uma droga barata e letal, sem serem incomodados. Em 2005, a prefeitura anunciou um ambicioso plano de revitalização da área e chegou a decretar, no ano passado, o fim da cracolândia. O projeto Nova Luz, prevê uma série de ações para recuperar os imóveis abandonados e a segurança da região. O objetivo é conceder incentivos fiscais para atrair comerciantes. Por enquanto a única nova luz que se vê no centro é a do isqueiro acendendo uma nova pedra. A verdade é que esse é um problema social grave e não apenas da polícia, porém o tráfico deve ser combatido e reprimido. Tudo muito velho e que as pessoas estão cansadas de saber há 15 anos, porém outra “nova luz” se acendeu no fim do túnel. A principal novidade do plano desenhado pela prefeitura e governo do estado, para tentar diminuir a incidência do uso de drogas na cracolândia é o encaminhamento dos viciados para centros de tratamento psiquiátrico, com a oferta de leitos nos hospitais, enquanto se aumenta a fiscalização policial. Isso significa realizar acertos com entidades ligadas ao sistema de saúde e assistência social, com a Vara da Infância e com os conselhos tutelares. Além do atendimento médico, o plano prevê a construção de uma rede para oferecer ao dependente de drogas uma porta de saída. Isso implicaria garantir a ele uma renda mínima, o acesso a cursos profissionalizantes, o primeiro emprego, sessões de psicoterapia, escola em tempo integral e oficinas culturais e esportivas.

A ideia do bolsa-anti-droga é muito boa e tenta achar uma resposta para a difícil questão, mas os hospitais que recebem dependentes não têm condições de mantê-los por muito tempo e o tratamento não funciona a curto prazo. Além disso, muitos deles não querem sair das ruas e são verdadeiros "escravos" da droga. O usúario não aceita ser internado, dormir em albergues - porque são todos "zumbis" – e muito menos qualquer tipo de ajuda que vá tirá-los de seu reduto. Um levantamento da Prefeitura indica que de cada quatro moradores de rua, apenas um aceita a oferta de dormir num albergue. No último fim de semana eu passei pela região da cracolândia, rumo ao ponto de ônibus. Eram quase 8 da noite e o movimento de noias já era grande. Me afastei de ruas onde estavam reunidos e fiquei esperando o coletivo sozinho, porém a poucos metros de distância um morador de rua conversava com agentes da Central de Atendimento Permanente e Emergência da prefeitura. Observei de longe que o homem recusava a ajuda oferecida pelos agentes. Pouco tempo depois eles desistiram e foram embora. Me senti curioso naquela situação e resolvi conversar com o morador de rua. Me apresentei a ele como estudante e como estava com meu amigo de todas as horas - o gravador de áudio - no bolso pedi a ele para gravar a entrevista. Paulo Roberto Alves da Silva, 50, se mostrou um pouco fechado no início com minhas perguntas, mas acabou respondendo a tudo com muita tranqüilidade em uma conversa simples e rápida. Ao lado de seus dois cahorros, Natureza e Sol, ele mora a cinco anos nas ruas do centro, e é completamente revoltado com a sociedade. Paulo não aceita ir para albergues nem nos dias mais frios, reclama da abordagem da polícia e lamenta seu vício no crack. Acompanhe a entrevista abaixo com o relato de um morador de rua.

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Faculdades do crime

O assunto de hoje tem cara de roteiro de filme pastelão, mas realmente aconteceu no interior de São Paulo. No último domingo, um preso de 28 anos, utilizou uma peruca e maquiagem para fugir pela porta da frente da cadeia pública de Franca, a 400 km de SP. A Polícia só se deu conta da "fuga" do espertinho - que aproveitou o horário de visitas para escapar - quando checou as camêras de segurança. O homem que havia sido preso em junho por roubo, já tinha aproveitado para ficar bem longe das grades em março, quando foi beneficiado pelo indulto na páscoa, não retornando a prisão logo depois. A Corregedoria da Polícia Civil investiga o caso e suspeita que ele tenha se aproveitado da peruca de um travesti. A falha no controle de visitas, e a situação cada vez mais precária no sistema carcerário do país, ficam cada vez mais evidentes. Há pouco mais de um mês, funcionários da penitenciária de Franco da Rocha (Grande São Paulo) descobriram a fuga de três detentos que cumpriam pena em regime fechado. De acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária, os carcereiros se deram conta do sumiço durante uma contagem de rotina e não há indícios de como os presos deixaram a carceragem, mas um procedimento administrativo será instaurado para apurar o caso.


A superlotação e as condições precárias das cadeias no Brasil são os principais motivos do processo de falência no sistema prisional. O exemplo do que aconteceu no Rio Grande do Sul deve ser analisado e bem refletido.

Em uma investigação que durou seis meses, a polícia gaúcha conseguiu desarticular uma quadrilha que deu prejuízos de quase R$ 1 milhão. Com todas as provas em mãos, foi pedido a prisão preventiva de 15 pessoas, mas o juiz decidiu manter os suspeitos nas ruas. A justificativa não colou e foi argumentada dando ênfase na falta de espaço da cadeia, estrutura e de que os crimes foram cometidos sem violência ou ameaça. Não só o início imediato de construções de novos estabelecimentos devem ser "implorados" pela sociedade. Também é necessário rever a Lei de Execução Penal e acabar de vez com as saidinhas em feriados. O crime tem que parar de compensar, as frágeis prisões precisam de maior controle e o detento deveria contribuir com algo, trabalhando em favor da sociedade que os alimenta. Não adianta recapturar o preso e jogá-lo em um "moquifo" sujo esperando que o mesmo se reabilite. Estamos pagando por verdadeiras faculdades do crime. Follow Fabricio_blog on Twitter

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Entre terra, entulhos e sonhos

O rapper Sabotage, criado nos becos do Brooklin se destacou no hip hop da virada do século. Ele foi assassinado em 2003. Desapareceu antes do bairro em que cresceu também desaparesse entre terra, entulhos e sonhos. A favela do Jardim Edite, na esquina da avenida Jornalista Roberto Marinho com a Engenheiro Luiz Carlos Berrini, a poucos metros da ponte Estaiada, será urbanizada com a construção de prédios populares. Já falei do assunto em duas postagens, inclusive uma ilustra o “destaque” deste blog. A prefeitura também tem a intenção de remover outras favelas na antiga e sempre Espraiada, como Piolho e Canão. Assim a prefeitura retira os moradores de favelas da regiões consideradas nobres. O exemplo do Jardim Edite é claro e não deixa dúvidas. De acordo com a reportagem do jornal Folha de São Paulo, Cotidiano (18/5), serão 278 familías beneficiadas, dentre as 854 que viviam na antiga favela. Os apartamentos terão 48 m2 -o padrão da Cohab é 42 m2. Um dos blocos, do total de sete, terá até elevador. Cada apartamento deve custar de R$ 65 mil a R$ 70 mil, já incluída a infraestrutura do local. Os novos moradores devem pagar por volta de R$ 300 mensais, fora luz e condomínio. Enquanto isso, as pessoas que aguardam a construção dos prédios, recebem um bolsa-aluguel de R$ 500. A licitação para a obra deve ser lançada em dois meses e o conjunto deve ser concluído em meados de 2010. O grande jogo de interesses que envolve a região, coloca o lado mais fraco em desvantagem. Acredito que muitas pessoas não terão condições financeiras de voltar a residir no mesmo local. Dentro de alguns anos, não duvido nada que os apartamentos sirvam de moradia para empregados dos prédios envidraçados no entorno. O Brooklin como Sabotage conheceu já deixa saudades.




Vídeo feito e editado por Fabrício Amorim
Música de Sabotage - No Brooklin


Fontes:
Folha de são Paulo
UOL Follow Fabricio_blog on Twitter

domingo, 31 de maio de 2009

Para a nossa proteção

No começo de fevereiro quando a polícia ocupou a comunidade de Paraisópolis, o prefeito Gilberto Kassab afirmou que o "restabelecimento da ordem e da segurança na área iria ocorrer com um conjunto de ações sociais - batizado de "Virada Social", juntamente com a presença ostensiva da polícia. Pois bem. Segundo o jornal "Estado de São Paulo", durante pouco menos de três meses de operação, entre 4 de fevereiro e 26 de abril, 400 policiais em 100 viaturas e um helicóptero, com 20 cavalos e 4 cachorros, aplicaram 51.994 revistas a moradores. O início da operação da polícia aconteceu após tumultos provocados por algumas dezenas de moradores, que deixaram três PMs baleados. Como resposta, alguns membros da corporação que deveria zelar pela ordem e segurança de nós cidadãos, deixou rastros de abuso e violência, apesar de negar dizendo não haver provas. Ainda de acordo com a polícia, o balanço da operação foi positiva com 93 flagrantes, captura de 61 procurados, 31 armas e 9,9 kg de drogas apreendidos, mas o saldo final vai além, com relatos absurdos e chocantes de moradores entrevistados pelo jornal.

São testemunhos de furtos, agressões de variadas formas - inclusive a menores de idade -, invasões que passaram a marca de dez visitas - com direito a pontapé na porta e todas sem autorização judicial. Creio que essas "maçãs podres" que sujam a imagem da polícia deveriam ser banidas e julgadas pela Corregedoria, mas como ter provas que mostram os abusos policiais? Sinceramente, não sei. Me passa pela cabeça os filmes de "velho oeste", onde criminosos invadiam as cidades e o xerife os expulsava na bala. Da ficção para a realidade do século 21, os papéis de bandidos e policiais as vezes se misturam. Não sigo a linha de pensamento de generalizar qualquer tema, até mesmo em nosso Congresso, apesar de cada vez crer menos em um político incorruptível. Boa parte da sociedade não tem o mesmo raciocínio estigmatizando certas regiões e as atuações policiais. Tive uma convesa com um colega de faculdade nesta semana em que ele afirmou fugir de polícia e ladrão. Mas fugir da polícia para quê se você é integro, trabalhador, enfim, uma pessoa de bem? Ele respondeu com ênfase na violência policial que é relatada direto por aí. Me fez refletir sobre o assunto. Oitenta e dois dias de medo e qualquer "homem fardado" vira inimigo. Tenho que confessar a necessidade de generalizar. A polícia promoveu uma "Virada Social" na base da pancada e humilhação. Algum morador de Paraisópolis confia na proteção? Assim como meu colega, não sei se confio mais.



Foto do blog "Paraisópolis exige respeito"

Fontes:
Estado de São Paulo - Caderno Metrópole 31/05
G1 Follow Fabricio_blog on Twitter

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Barco da educação

O rumo que a educação no país vem tomando continua preocupante. Conheço bem os problemas do ensino porque estudei desde pequeno em colégios estaduais e municipais. O perfil que o censo da educação básica de 2007, traçou do professor brasileiro nas redes pública e privada de ensino é bem claro quanto ao descaso . Em todos os níveis de instrução há parcelas significativas de mestres, no mínimo 13%, sem a formação mínima exigida em lei. O caso mais grave se localiza entre a 5ª e a 8ª séries do ensino fundamental, com 27% de profissionais não qualificados. Particularmente alarmante é a situação no ensino de disciplinas estratégicas -como matemática e física. No ensino médio, só um quarto dos professores de física tem licenciatura na área. Em matemática, 34%. Sem a qualificação mínima exigida, esses profissionais dão aula para cerca de 600 mil alunos. Assim o nível do ensino vai afundando cada vez mais, o interesse das crianças e adolescentes diminui, e como não há reprovação por faltas em muitos estados, o diploma no final é garantido. Isso tudo está diretamente ligado ao salário vergonhoso dos professores, e a falta de competência do governo. Vejamos o exemplo do estado de São Paulo, que faz "vista grossa" para o material enviado as escolas. A gestão de José Serra permitiu que livros impróprios chegassem a alunos da terceira série (faixa etária de nove anos). Um possui frases como "nunca ame ninguém. Estupre". O outro - que já foi recolhido - continha palavrões e expressões de conotação sexual. Também não posso deixar de esquecer o leitor, da cartilha que o governo mandou para escolas com "dois Paraguais". Após questionamento do jornal Folha de São Paulo, a Secretaria da Educação de Serra (PSDB) decidiu retirar os livros das salas de aula. Os exemplares, no entanto, permanecerão nas escolas, para consulta de alunos mais velhos. Gostaria muito de saber como a secretaria faz a escolha dos livros e porque os livros só foram retirados após o jornalista questionar. Essa análise não deveria ter sido feita antes? Os caminhos que o barco da educação toma tem problemas e buracos vísiveis. Falta conduzir melhor as necessidades aparentes para não afundar de vez e quem sabe futuramente melhorar a qualidade da educação. Follow Fabricio_blog on Twitter

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Cachorrada

Segundo a Folha de São Paulo de ontem, um casal de Cascavel (498 km de Curitiba) foi condenado pela Justiça do Paraná a pagar R$ 965 por abandonar um cão vira-lata, que acabou morrendo, na cidade. Em outubro, os donos de Urso venderam a casa onde moravam e se mudaram sem levar o cachorro. Durante dois meses, o animal aguardou pela família em frente à casa. O cachorro foi adotado por uma voluntária da Acipa (Associação Cidadã de Proteção aos Animais), ONG que levou o caso à Justiça, mas o cão adoeceu, e teve de passar por eutanásia em fevereiro. O dono do animal não comentou o caso, que considera "encerrado".

É melhor eu escolher bem as palavras que vem a seguir porque pretendo manter o nível do blog elevado. As palavras baixas e xingamentos ficam na mente de quem está na frente do computador lendo essa atrocidade. Espero que este casal não tenha filhos e não venha a tê-los. Quem não consegue cuidar de um cão e o abandona de tal forma, não pode nem ter um aquário em casa. É realmente uma pena que não pese no bolso o que vocês fizeram com o cão. O valor deveria ser elevado, de acordo com o ato. A completa falta de humanidade, sentimentos, maltratam o amor. Urso está bem melhor agora.

Moro próximo a uma praça que tem alguns cães abandonados e que necessitam urgentemente de um lar. Desde dois filhotes, (seis meses) até adoráveis vira-latas de quatro, cinco anos, todos são dóceis e brincalhões. Até o final de semana voltarei a falar deles (com fotos de alguns) e postarei aqui no Farofa. Quem tiver interesse pode deixar um comentário. São todos saudáveis e nenhum deles está doente ou com problemas. Claro que necessitam de vermífugo e uma possível castração (depende da opção do dono), mas essa questão se resolve com facilidade. Levo pessoalmente o cachorro se for necessário em qualquer região da cidade de São Paulo, inclusive ABC. Adote! Follow Fabricio_blog on Twitter

sábado, 28 de março de 2009

Ciclistas invisíveis

Depois de pedalar hoje de manhã alguns quilômetros com minha bicicleta no parque do Ibirapuera, chego em casa e me deparo com a notícia que um colega ciclista foi multado após integrar um protesto em São Paulo. O integrante do evento World Naked Bike Ride (algo como "passeio mundial de ciclistas nus"), recebeu da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), uma multa no valor de R$ 1.289,25 por gerar "interferências no tráfego viário". A proposta do passeio nu, é protestar contra a "opressão" que as bicicletas sofrem no trânsito das grandes cidades.

Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa da CET, "os organizadores da Pedalada Pelada não protocolaram na companhia nenhuma solicitação para que o passeio ciclístico fosse realizado. Assim, o evento foi considerado irregular - sem prévia autorização da autoridade de trânsito, e, por isso, foi multado conforme prevê a lei". A CET diz que o valor da multa abrange os custos do "serviço prestado" pelo órgão para dar fluência ao trânsito no dia da manifestação, acrescidos de 50%, de acordo com o que determina a lei municipal.

Espero que o colega ciclista não pague essa multa absurda e continue a divulgar o protesto que é relevante e muito importante para os "fantasmas" que andam todos os dias por aí, sendo desrespeitados por todos os lados na briga por um espaço no trânsito. Quem anda de bicicleta em São Paulo encontra-se nu, totalmente desprotegido, e com a dúvida diária se voltará bem para casa. Hoje, a capital possue 17,5 quilômetros de ciclovias em ruas e outros 19 quilômetros em parques.



Isso é muito pouco! Achei interessante a ideia de alugar bicicletas em algumas estações de metrô. De acordo com o site G1, de 16/03, o projeto de aluguel de bicicletas, em seis meses, já conta com mais de 5 mil clientes diferentes. O empréstimo é gratuito na primeira hora e, a partir da segunda, custa R$ 2 por hora. Como o sistema é interligado, é possível pegar a bike em uma estação e devolver em outra.

Este sistema pode até funcionar, mas e o perigo para os ciclistas? O governo quer criar uma "cultura da bike", para incentivar os motoristas a deixarem o carro em casa, mas se esquece de dar mínimas condições de usufruir as vias com segurança. A cidade de São Paulo é muito grande, porém muita gente se aventura fazendo longos percursos em meio ao trânsito caótico. Uma pesquisa do Metrô na região metropolitana, revelou que são feitas 300 mil viagens de bicicleta por dia, 71% delas por motivos de trabalho.

Ando quase diariamente de bicicleta, e chego mais rápido aos lugares. Vejo pelas ruas e avenidas o total desrespeito de veículos comuns, taxistas, motoristas de ônibus, e motoqueiros. Um dado alarmante, segundo a CET, prova a minha preocupação. Um ciclista morre a cada 5 dias em São Paulo em decorrência de acidentes no trânsito. É importante a criação de ciclovias, juntamente com o transporte público de qualidade. Como vou esperar por ações do governo pedalando, só peço um pouco de respeito e bom senso a todos que leram este post. Não estou forçando ou pedindo muito. Agora a CET...


Fontes:
g1

Movimento Nossa São Paulo -

http://pedalante.wordpress.com/2009/01/14/sempre-marcia/ Follow Fabricio_blog on Twitter