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sábado, 12 de março de 2011

Dez comédias estúpidas para tardes chuvosas

Meu preferido na lista abaixo
Sou fã do crítico da Folha, diretor e produtor André Barcinsky, desde os tempos do programa "Garagem", na falecida Rádio Brasil 2000. Seu blog é uma leitura indispensável e faz parte da pasta de favoritos do meu computador. Em uma de suas últimas postagens, Barcinsky elegeu 10 comédias estúpidas para tardes chuvosas. Gostei da ideia, e agora é minha vez. Como o sábado – que segundo a previsão era de sol forte – deverá mostrar sua cara fechada com muita chuva, decidi escolher a minha lista. Porém, é importante ressaltar que meus eleitos foram diretamente influenciados pela sessão da tarde da Rede Globo, sendo que a maioria deles são os adoráveis pastelões adolescentes dos anos 80. Veja os escolhidos abaixo, coloque a pipoca para estourar e assista alguns momentos dos seus preferidos clicando nos nomes:

Um Morto muito Louco (Weekend at Bernie´s - Ted Kotcheff, 1989)

Dois grandes amigos, Larry Wilson (Andrew McCarthy) e Richard Parker (Jonathan Silverman), trabalham para Bernie Lomax (Terry Kiser) em uma companhia de seguros. Em um fim de semana na casa de praia do chefe, os amigos o encontram morto.

Sem Licença para Dirigir (License to Drive – Greg Beeman, 1988)
Les Anderson (Corey Haim) tem dezesseis anos e está ansioso para tirar habilitação e levar a garota de seus sonhos, Mercedes (Heather Graham), para um encontro. No entanto, Les não passa no exame de habilitação, o que não o impede de levar sua amada para sair no carro de seu avô.

Férias Frustradas (National Lampoons Vacation - Harold Ramis, 1983
Os Griswolds (Chevy Chase, Beverly D’Angelo) planejaram suas férias de verão em todos os detalhes. Saindo de Chicago eles vão cruzar o Oeste americano até o divertido parque Walley World. Tudo certo em seus mínimos detalhes, até pegarem a estrada. Daí em diante algumas centenas de imprevistos começam a acontecer. E isso é só o começo.

Milionário num Instante (Taking Care of Business – Arthur Hiller, 1990)
Jimmy Dworski (James Belushi) é um malandro que foge da prisão para assistir a final de um campeonato de beisebol. Mas logo depois de escapar ele acha a agenda de um executivo, Spencer Barnes (Charles Grodin), e assume sua identidade.

Um Príncipe em Nova York (Coming to America, John Landis, 1988)
Eddie Murphy faz o príncipe de um país na África que resolve ir aos Estados Unidos, para encontrar sua princesa, vivendo como um rapaz simples e pobre.

Corra que a polícia vem aí (Naked Gun - Zucker, Abrahams, 1988)
Primeiro filme da série, este é o melhor sem dúvida nenhuma. O tenente Frank Drebin (Leslie Nielsen) tenta salvar a Rainha da Inglaterra, ameaçada por um terrorista internacional (Ricardo Montalban).

Os Deuses Devem estar Loucos (The Gods Must be Crazy – Jamie Uys, 1980)
O piloto de um pequeno avião joga fora uma garrafa de vidro de Coca Cola. Essa garrafa cai próximo ao líder de uma tribo, em uma região deserta na África. Inicialmente o estranho artefato parece ser um presente dos deuses, com muitos usos a serem descobertos. Mas como há somente um frasco para dividir entre todos, os problemas começam.

Cegos, Surdos e Loucos (See no evil, Hear no evil – Arthur Hiller, 1989)
O dono de uma banca de jornais, Dave Lyons (Gene Wilder), que é surdo, dá um emprego para Wallace "Wally" Karue (Richard Pryor), que é cego. O assassinato perto da banca desencadeia uma série de fatos, e agora eles são perseguidos pela polícia e pelos bandidos.

A Vingança dos Nerds (Revenge of the Nerds – Jeff Kanew, 1984)
O enredo do filme satiriza um grupo de Nerds que tentam acabar com os abusos sofridos por eles, pela fraternidade Alpha Beta - sociedade modelo de atletas machistas

Loucademia de Polícia (Police Academy – Hugh Wilson, 1984)
Com o aumento da criminaliade, o novo prefeito da cidade determina que o departamento de polícia passe a aceitar todos os recrutas voluntários. A partir daí, as mais loucas figuras aparecem para o treinamento.

Fontes: Adoro Cinema - Blog André Barcinsky
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

127 horas

Aflição, agonia, desespero. “127 horas” me envolveu de uma forma, que tive a sensação que meu braço estava preso na rocha. A meu dispor somente o equipamento de alpinismo, uma mini câmera, um relógio, um canivete e 500ml de água.  De fato, a torcida para que o alpinista se solte e a navegação em seus pensamentos faz o espectador entrar dentro do personagem, sofrendo com o resgate  impossível: Aron Ralston (James Franco) cai em uma fenda num cânion, numa região montanhosa em Utah (EUA) a dezenas de quilômetros de alguma civilização.  

A salvação se concentra na sua inteligência e força, mas não há maneira de se desprender da pedra e o personagem – baseado em uma história real – começa a viajar em suas memórias e luta contra as peças que a mente prega. O filme se torna uma experiência masoquista por que sabemos o que nos aguarda, e mesmo estando cientes do desfecho, continuamos. E não há decepção. A seguir o texto contém spoiler, portanto não continue lendo se você não viu o filme.

O diretor Danny Boyle conseguiu fazer um filme com basicamente, um ator e uma locação, e o longa consegue conquistar seu objetivo: prende a atenção do espectador focando nos detalhes que são fundamentais para a sobrevivência do personagem. A atmosfera de emoção completa-se com a música muito bem escolhida para cada cena, e com os cortes rápidos que captam bem o desespero do personagem. O crescente ritmo de tensão leva a cena derradeira e o resgate emociona. Fim de filme. Gostei. Quero ver de novo.     

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A montanha dos Sete Abutres - Mineiros no Chile

A montanha dos Sete Abutres
A notícia ruim é a melhor, porque vende mais, e traz muitas vezes o espetáculo junto de sí. "Eu posso cuidar de grandes notícias e pequenas notícias, e se não houver notícias eu saio e mordo um cachorro", diz Charles Tatum, no clássico filme “A montanha dos Sete Abutres”, de 1951. O jornalista ou estudante de jornalismo que ainda não assistiu à aula que o filme dá, deve correr para assistir. São reflexões tão atuais que mal se pode acreditar que tenha sido feito há 60 anos. A história do filme é simples. Um jornalista desempregado nos grandes centros que tem uma conduta questionável, busca refúgio em pequeno jornal em busca de voltar a obter sucesso em suas matérias. No caminho de uma pauta que o personagem Charles Tatum, interpretado por Kirk Douglas, considera entediante, ele se depara com uma matéria que pode levá-lo de volta ao grande circuito: um homem preso em velhas ruínas indígenas, justamente na Montanha dos Sete Abutres. O drama humano, as circunstâncias reais ou inventadas pelo repórter para a trama e a abordagem sensacionalista logo chamam a atenção do público. A sociedade do espetáculo se manifesta em sua totalidade. O “circo” midiático é armado e o repórter controla, manipula, e por fim, obriga o empreiteiro responsável pelo salvamento a adotar um método de resgate que demoraria uma semana, em vez de outro que libertaria a vítima em menos de 24 horas, pois, é necessário prolongar o espetáculo ao máximo. O filme dirigido por Billy Wilder, é um clássico, envolvente como “Cidadão Kane” e possui um enredo de oportunismo, muito bem estruturado. De 1951 para 2010, da ficção para a realidade, o jornalismo não muda em nada. Revistas, jornais e programas de televisão, montaram o mesmo cenário espetaculoso no caso dos 33 mineiros que estão presos a 700 metros de profundidade, depois do deslizamento na mina San José a pouco mais de 1 mês. As semelhanças contidas nas histórias são notáveis e me fazem crer cada vez menos no jornalismo que sou apaixonado e que me fascina.   
Leia mais sobre os chilenos presos na mina:

Foto de divulgação do filme retirada deste link
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domingo, 12 de setembro de 2010

Cidadão Boilesen

Ao passar pela rua Henning Boilesen, na cidade de São Paulo, a equipe do documentarista Chaim Litewski, pergunta aos populares se alguém sabe o porque deste logradouro possuir este nome. Engenheiro? Jogador de peteca de origem germânica? Mais um imigrante que deve ter feito algo "relevante"? A última alternativa tem alguma linha para desenrolar o carretel. Boilesen trocou a Dinamarca pelo Brasil na juventude, e foi presidente da Ultragás entre 1952 – 1971, quando foi assassinado. “Ele era um cara muito bacana com quem eu tinha muita afinidade”, diz o militar reformado Erasmo Dias sobre o empresário. Você já deve desconfiar de onde surgiu tanta amizade e simpatia. Boilesen foi um dos financiadores da OBAN (Operação Bandeirante) – que foi um centro de informações, investigações e de torturas montado pelo Exército nos anos de chumbo. O documentário “Cidadão Boilesen”, Chaim Litewski, montado por Pedro Asbeg, conta a história deste homem com entrevistas que nos fazem pensar sobre este período nebuloso da história de nosso país, onde os militares aplicaram o golpe dentro do golpe, defendendo a “democracia” do “perigo comunista” que assolava o mundo. Não quero fazer juízo de valor sobre o personagem principal do filme. Cabe ao espectador decidir se as ações de Boilesen eram justas ou não. Os militantes da MRT e da Ação Libertadora Nacional acharam que naõ e decidiram por fim na vida dele. No dia 15 de abril de 1971, Boilesen foi executado com 25 tiros na cabeça pelas organizações de esquerda já citadas. Para o governo militar e diversos jornais da época, sua morte foi mais uma das ações terroristas dos subversivos. Já para os executores foi um exemplo de justiça e um passo a mais na luta contra a repressão instalada pelo AI-5. Litewski e Asbeg contribuíram para que uma parte triste da história do Brasil seja resgatada e debatida. O que mostram não é agradável, mas necessário. Fica a dica de mais um brilhante documentário nacional.
Foto retirada de:
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://meucinemabrasileiro.com/filmes/cidadao-boilesen/cidadao-boilesen-poster01.jpg&imgrefurl=http://meucinemabrasileiro.com/filmes/cidadao-boilesen/cidadao-boilesen.asp&h=511&w=354&sz=43&tbnid=I8swTrApudEbfM:&tbnh=270&tbnw=187&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Bde%2Bcidad%25C3%25A3o%2Bboilesen&zoom=1&q=foto+de+cidad%C3%A3o+boilesen&hl=pt-BR&usg=__WLraEnNjMyx10ONnaGrfKa2Lj1c=&sa=X&ei=c2CNTPKKNMGB8gahwaDoCg&ved=0CBsQ9QEwAA
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domingo, 17 de janeiro de 2010

Laranja Mecânica

É normal constatar que a adaptação cinematográfica de livros sempre deixa a desejar. Geralmente o livro é sempre melhor, mas isso não acontece com “Laranja Mecânica”. Creio que o original de Anthony Burgess, já era uma obra respeitável, no entanto, nas mãos do diretor Stanley Kubrick (que fazia seu primeiro roteiro solo) o material ganhou uma dimensão fiel e superior. O longa de 1971 é ambientado na Inglaterra, em um futuro indeterminado, mas que poderia tranquilamente ser hoje. Laranja Mecânica mostra a vida de um jovem, chamado Alex DeLarge, cujo o gosto paira entre Beethoven, e violência extrema. É através de seus olhos e de sua percepção que somos introduzidos em uma realidade distorcida. No início do filme, Kubrick transformou cada cena de violência em pura poesia. Todos os elementos de “Laranja Mecânica” parecem hipnóticos e exagerados. Figurinos, cenografia, interpretações, música, tudo parece transmitir uma explosão sensorial de cores, sons e ritmos, como se a visão do mundo fosse resultado de algumas doses de “moloko”. Posso classificar a obra como um dos 50 filmes imperdíveis de todos os tempos. É um clássico atemporal que me surpreende todas as vezes que assisto. Como devorei o livro há pouco tempo, afirmo sem pestanejar, que em “Laranja Mecânica”, o filme, Kubrick foi além. "É engraçado como as cores da vida real só parecem realmente reais quando você as videia em uma tela..."

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

FEB - Heróis Esquecidos

No final dos anos 30, os regimes totalitários estavam consolidados em países de grande importância na Europa, como na Espanha de Franco, na Itália com Mussolini, Salazar em Portugal, Stalin na União Soviética. O Brasil vivia a ditadura Vargas e mantinha boas relações comerciais com Alemanha e Itália, inclusive com a importação de armamentos e submarinos. Em 1939, o regime nazista estava consolidado por toda a Alemanha. O austríaco Adolf Hitler, sempre foi contra o Tratado de Versalhes, - que foi um acordo pôs fim a primeira guerra mundial e fez a Alemanha perder uma parte de seu território. Então Hitler observou a fragilidade no comando de países vizinhos e ordenou a invasão da Aústria e metade da Polônia que foram anexadas ao Estado alemão. A outra metade da Polônia ficou com a União Soviética, que depois foi traída por Hitler, e se tornou seu principal inimigo. O ditador alemão possuía um exército poderoso e bem treinado, que tinha como tática principal a Blitzkrieg, que era um ataque rápido e bem coordenado entre aviação, artilharia e infantaria. Além disso, Hitler tinha a ideologia de uma raça superior, pregava a exclusão de minorias étnicas e religiosas, o fim do comunismo entre outros princípios, que segundo ele iriam enriquecer a raça humana. A partir da invasão da Polônia, os aliados (Inglaterra, França e depois Estados Unidos) declararam o conflito onde a Alemanha contou com o apoio do Japão, do imperador Hirohito, e da Itália, de Mussolini formando os países do Eixo.

No Brasil, mesmo com a simpatia que o governo de Vargas tinha com os regimes totalitários, e com boatos silenciosos que nosso governante iria se aliar ao Eixo, o país resolveu permanecer neutro na guerra. Esse posicionamento de neutralidade foi mantido até 1942, quando aconteceu a conferência dos países sul-americanos no Rio de Janeiro. A reunião decidiu condenar os ataques japoneses aos Estados Unidos, e romper relações diplomáticas com os países do Eixo: Alemanha, Itália e Japão. A decisão foi tomada a contragosto de Vargas que temia represálias dos alemães. O pensamento de Getúlio não estava errado. Não demorou muito tempo e começaram os ataques e afundamentos de navios brasileiros por submarinos do Eixo, ocasionando centenas de vítimas civis brasileiras. No total, 21 submarinos alemães e 2 italianos afundaram 34 navios mercantes brasileiros, acarretando 1.691 náufragos e 971 mortes. Após a pressão popular e da imprensa, em 1942, Vargas declarou estado de guerra no país, e começou à negociar com o presidente dos EUA, Franklin Roosevelt - que pedia a instalação de bases aéreas no nordeste do Brasil, para fortalecer a estratégia de logística. Assim, Getúlio permitiu a entrada dos americanos no nosso país, recebeu em troca de um apoio financeiro e técnico para a construção de uma siderúrgica, e prometeu enviar combatentes para auxiliar os exércitos aliados.

Então o Brasil convocou 25 mil homens, que tinham a missão de combater as forças do Eixo. O país demorou dois anos para treinar e enviar seus combatentes. Em 1944, os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foram enviados a guerra. No dia 30 de junho de 1944, embarcou o primeiro escalão contendo 6.000 combatentes brasileiros que não sabiam para onde iriam exatamente. Na época, o Eixo havia tomado à Noruega, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Polônia, Dinamarca, enquanto a Inglaterra amargava o início da invasão. Outros países europeus Portugal, Espanha, Suíça e Suécia, não foram dominados e se mantiveram neutros na guerra - concordavam com quem vencesse. Chegando à Itália, a FEB desembarcou na cidade de Nápoles e se incorporou-se ao IV Corpo de Exército Americano, dando início as suas operações de combate no princípio de setembro de 1944. Os combatentes brasileiros lutaram contra tropas altamente experientes, transferidas por Hitler do front russo, em terreno montanhoso. O Eixo possuía uma posição privilegiada de defesa, e se aproveitavam da altitude da cordilheira dos Apeninos. Outra grande complicação, tirando o inimigo, foram ás inclemências do tempo, inclusive os rigores do inverno, com temperatura de 20 graus negativos, fora a sensação térmica. Enfrentando todas as dificuldades que uma guerra impõe, os pracinhas acabaram com a resistência nazista. As batalhas de Monte Castello, Castelnuovo, Montese, Colecchio e Fornovo foram os principais conflitos em que a FEB se envolveu. Foram 239 dias de ação contínua contra o inimigo – nove meses de operações( setembro de 1944 – maio de 1945). A FEB enfrentou continuamente 10 divisões alemãs, 3 divisões italianas e somou 20,5 mil prisioneiros em combate.


Documentário – Heróis Esquecidos

Este texto acima é um pequeno resumo da ampla pesquisa que realizei sobre o Brasil na segunda guerra. Em meados de junho, antes do início das aulas na faculdade, já pensava em um tema para retratar na disciplina ‘documentário em vídeo’. No final da mês, a ideia de falar sobre a Força Expedicionária se tornou muito forte para ser derrubada. No primeiro dia de retorno as aulas, minha orientadora aceitou prontamente que eu seguisse com o projeto. Me reuni com três colegas e fechamos um grupo que lutou até o fim como em um combate. Muitas dificuldades foram surgindo no decorrer da produção do documentário, porém o que mais deixa chateado é a falta de estrutura da faculdade para fazer um bom trabalho. Prefiro nem aprofundar esse aspecto triste, mas é vergonhoso ter que disputar “no tapa” um horário para editar o filme. Gravamos todo o material com uma mini-dv, já que não havia um técnico (câmera) disponível. O resultado foi um enquadramento um pouco amador, mas que deu um clima “cult” no final das contas. Foram entrevistados 11 veteranos que foram a Itália lutar contra as forças do Eixo, no museu da Associação dos ex-combatentes – seção São Paulo. O nome “Heróis Esquecidos” nasceu de declarações dos próprios ex-combatentes, que se sentem um pouco excluídos de uma parte de nossa história. Os pracinhas brasileiros foram lutar pela liberdade e pela democracia no velho continente e impedir a proliferação do fascismo no mundo, mesmo vivendo no Brasil a ditadura ferrenha de Vargas. Peço ao leitor do blog que veja o vídeo abaixo, que foi o resultado de muito esforço e dedicação de Fabrício Amorim, Raphael Valente, Luiz Ferreira e Gabriel Nunes. O roteiro, a trilha sonora e toda a realização foram feitos por nós. O curta metragem sintetiza um pouco da história da FEB, tem 22 minutos, divididos em três partes. Estoure sua pipoca, assista ao filme!




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domingo, 11 de outubro de 2009

Sindicato de Ladrões

A combinação entre a direção de Elia Kazan, e a atuação do maior ator da história Marlon Brando, é garantia certa de ver ótimos filmes. Acho o melhor de todos “Uma rua chamada Pecado” – que é um longa atemporal e fantástico. Mais este clássico vou deixar para falar em outra oportunidade. Hoje vou dar ênfase a “Sindicato de Ladrões”, de 1954, que tem transmissão pelo canal a cabo TCM, a meia noite e dez. Na trama de Sindicato de Ladrões, Terry Maloy (Marlon Brando), é ex-pugilista que, por orientação do irmão mais velho Charley (Rod Steiger), acaba trabalhando no sindicato dos portuários de Nova York. O personagem de Brando é ingênuo, e entra em um esquema de corrupção, crime, extorsão por parte do sindicato – que o escala para atrair um delator para uma armadilha (que acaba sendo morto). O filme segue com dilemas morais, pendendo para a reflexão de valores éticos e abrindo espaço para o realismo da relação entre os trabalhadores e o poder do sindicato. O clássico de Kazan, é um filme que responde às incertezas e desilusões dos americanos na virada dos anos 40 para os anos 50, levando para as telas a discussão sobre o compromisso com a verdade. Quem tiver a chance de assistir, não perca este grande clássico e preste uma atenção especial na sequência onde Brando e Steiger conversam no banco de trás de um táxi. Simplesmente explica porque Marlon era genial.

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domingo, 4 de outubro de 2009

Primórdios do cinema


Na segunda década do século passado, mais precisamente no ano de 1924, alguns artistas radicais da vanguarda francesa se reuniram para produzir um dos mais marcantes filmes de toda a história do cinema. Entr´acte foi idealizado por Francis Picabia (pintor), Erik Satie (compositor), René Clair (cineasta) Marcel Duchamp (multi artista), Mar Ray (fotógrafo) e Jean Bordin (bailarino). Eles criaram um atrativo e experimental curta onde foram exploradas todas as possibilidades possíveis da linguagem cinematográfica. Originalmente, Entr`acte – entreatos – resultou do intervalo na partes de um escandaloso balé, para preencher o tempo e fazer a transição de um ato para o próximo.

Foram muitas as inovações de Entr´acte. A câmera começa a ter maior mobilidade e o movimento dela traz uma impressão surrealista ao filme. Algumas imagens são distorcidas, sobrepostas, lentas e fora de foco, o que traz ao espectador a sensação de uma nova descoberta em termos de linguagem. Os ângulos inusitados e ritmos frenéticos também têm de ser destacados. É muito válida a captação de imagem panorâmica pelo diretor, já que esse recurso encontrava dificuldades devido a limitação da tecnologia das câmeras da época. A partitura foi criada por Erik Satie, que nomeou dez seções associadas ás cenas do filme. Para este filme, ele utilizou a chamada música mobília, composta em 1920, com variações que pretendeu transformar em música de fundo, para sons que o público deveria produzir como interferência, e abordou a “técnica despedaçada” e “repetitiva”.

Três anos após o lançamento de Entr’ acte, surge um divisor de águas na história do cinema. Em 1927, o sistema de sonorização Vitaphone – uma enorme e desajeitada máquina de projeção, imortalizou o filme “O cantor de jazz”, que sincronizava o filme a um disco de 33 rotações. Suas inconveniências eram grandes, a baixa qualidade da amplificação da época, o chiado do disco e a eminente possibilidade do disco riscar com o tempo, e tirar o filme de sincronismo. Mas foi um sistema pioneiro que fez com que toda a conquista dos músicos até aquele momento precisasse recuar aos primórdios do som para o cinema, repensar a função dramática do som, que agora poderia incluir não só música, mas também diálogos e ruídos. O Cantor de jazz é um marco porque foi considerado o primeiro filme de grande duração com falas e canto sincronizado. Toda a estrutura básica do longa, vem dos filmes mudos, mas há um diálogo entre os personagens durante o filme. Foi uma evolução que veio para não sair mais das novas produções a partir de então.

Al Jolson, foi o ator principal e o primeiro a falar e cantar em um filme, dirigido por Alan Crosland. Com o tempo, a simples "ilustração" musical redundante passou a ser vista como um terreno promissor de possibilidades. A partir daí, técnicos surgiram, os que já trabalhavam tiveram que reaprender, de acordo com os novos padrões estéticos, o som. Os limites dos quatro cantos da tela ficaram sem barreiras de linguagem, já que passou a existir a possibilidade de saber algo que está acontecendo fora das quatro linhas que determinam à imagem. Se há um tiro, um grito ou qualquer outro efeito sonoro óbvio fora da imagem, e o personagem reage a ele, o espectador sabe o que está acontecendo. Esse fator expandiu a linguagem e o espaço. Foi um primeiro passo no qual não tinha como voltar atrás. Os filmes mudos passaram a ser substituídos pelos filmes falados, e passaram a ser uma grande novidade. Os espectadores e freqüentadores assíduos das salas de cinema passaram a desfrutar dessa nova forma de fazer cinema, onde as possibilidades que o som sincronizado permitiram, fizeram da sétima arte a magia de sonhos fantásticos que lota as salas de exibição até hoje.


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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Primórdios do cinema


No final do século 19, uma máquina com a possibilidade de captar imagens em movimento e reproduzi-las através de um projetor foi inventada por Leon Bouly, em 1892, porém o francês não patenteou sua invenção. Assim, em 1895, os irmãos Lumiére, registraram o cinematógrafo e por isso são considerados os pais da sétima arte. A produção cinematográfica dos irmãos foi baseada em curtas-metragens, onde a câmera era posicionada para captar o que estava ocorrendo naquele momento. A intenção dos irmãos Lumiére com esses pequenos filmes, era promover a novidade e testar o seu potencial comercial. O objetivo estético e artístico ainda não existia. O filme consta apenas de um plano, em perspectiva diagonal. As limitações do recém inaugurado cinematógrafo, permitiam somente gravar registros de acontecimentos como a chegada de um trem, a saída dos funcionários de uma indústria, etc. O cinema nasceu, começou a registrar imagens, momentos e nunca foi totalmente mudo.

A incorporação da música nas exibições de filmes intensificava a impressão de realidade do filme. A música surgiu para “cobrir” as imagens e acompanha-las com a apresentação de um pianista ou orquestra, dependendo do tamanho da sala de exibição. Não se tinha a preocupação do diretor de estabelecer um vínculo na narrativa dos filmes. No início, esse acompanhamento era feito através de uma seleção musical extraída do repertório tradicional, com ênfase nas músicas do período romântico. Essa seleção era feita pelos músicos responsáveis pela sala de exibição. Em muitos casos, a músicas eram apreciadas na íntegra, sem o cuidado de buscar uma correspondência direta com aquilo que era visto na tela. Este período do cinema pode ser caracterizado como a primeira fase do cinema mudo. No começo do século 20, o cinema expandiu-se, a partir de então por toda a França, resto da Europa e Estados Unidos, através de cinegrafistas enviados pelos irmãos Lumière, para captar imagens de vários países.

Logo depois, nas duas primeiras décadas do século XX, o diretor americano David W. Griffith, realizou o filme “O nascimento de uma nação” que contou com inovações técnicas importantes. O americano foi considerado o grande responsável pelo desenvolvimento e pela consolidação da linguagem do cinema como arte independente. Griffith foi o primeiro a criar filmes em que a montagem e os movimentos de câmera eram empregados com maestria e, com isso, estabeleceu os parâmetros do fazer cinematográfico dali em diante. O filme foi lançado em 1915, e
é creditado por garantir o futuro dos longas-metragens.

O nascimento de uma nação foi pioneiro em técnicas como o close-up facial, a focalização profunda, efeitos, técnicas artísticas e a introdução de algo próximo ao leitmotiv (motivo condutor). O filme pode ser classificado na segunda fase do cinema, onde a principal característica está no fato de que os realizadores de cinema começam a se interessar pelo acompanhamento musical de seus filmes. Para o nascimento de uma nação, foi composta uma partitura original por Joseph Carl Briel, e outra foi adaptada por ele, sob a rigorosa supervisão de Griffith. A música é constituída por temas do repertório orquestral e temas tradicionais do sul dos Estados Unidos, estabelecendo uma associação entre o som e a imagem e fazendo-se perceber a importância da música na narrativa fílmica. O ponto a ser ressaltado na produção deste filme, é que Griffith sabia exatamente o que queria realizando um trabalho cuidadoso e genial.
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sábado, 12 de setembro de 2009

Despedida em Las Vegas

Sua mulher e filho pequeno o abandonaram. Depois Ben perde seu emprego de produtor. O tom melancólico do jazz transmite para o espectador toda a desilusão, angústia e felicidade que o personagem de Nicolas Cage (Ben Sanderson), sente em todos os momentos. Ben não tem mais nada, somente a bebida. Sim, estou falando daquela que passarinho não bebe. Restou então para ele aceitar o caminho natural de um alcoólatra, e ciente de sua condição, resolve se livrar de tudo que não possa carregar, para beber até morrer em Las Vegas. A partir daí, o relacionamento com a bebida teve que dividir espaço com uma prostituta que conheceu em uma de suas loucuras.

O filme “Despedida em Las Vegas” (1995), do diretor Mike Figgis, é baseado no livro de John O`Brien. É um drama que possui um clima de romance, com excelentes atuações, trilha sonora impecável, e que tem um roteiro que se desenrola envolvendo o espectador de maneira natural. É muito interessante a introdução da história de Sera- Elisabeth Shue- que em algumas cenas aparece em um contexto de sonora de documentário. Quando assisti pela primeira vez ao filme, fiquei impactado. Era um garoto, e achei muito forte, mas mesmo assim virou um de meus preferidos.

A impressão que tenho quando vejo hoje em dia é quase a mesma, mas aprecio muito mais todos os elementos que fazem de Despedida em Las Vegas, um excelente mergulho na alegria e na tristeza entre um alcoólatra e uma prostituta. A sensibilidade da história é proporcional a sua dureza. Quem tiver o canal a cabo Telecine Cult, pode assistir ao filme hoje à noite, as 19h55. É uma oportunidade única de ver um filme que raramente é transmitido, mesmo na televisão paga. Como sou um cinéfilo maluco, não tenho dúvida que mais uma vez vou fazer uma sessão pipoca em casa mesmo.



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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Curtindo a vida adoidado

Ontem a noite quando li na internet que o diretor John Hughes tinha falecido, prontamente me levantei e peguei o filme “Curtindo a vida adoidado” (1986) para assistir novamente. Este é o mais celebrado longa de Hughes e me traz boas recordações das sessões da tarde que assistia quando era criança. Assim como Ferris, nunca fui um aluno exemplar e matar uma aula era uma grande diversão. Considero o filme um pastelão – pouco oleoso – com muitas cenas forçadas, porém na medida certa. Sou fã de alguns filmes dos anos 80, que são bobinhos e tem roteiros fracos e previsíveis, mas cada um deles representa algo para mim. Em “Ferris Bueller´s day off” – “Curtindo a vida adoidado” ( sim sempre achei as traduções de títulos arrepiantes) o jovem secundarista Matthew Broderick interpreta um estudante que, com a namorada e o amigo, arma um complexo esquema para cabular um dia de aula.

John Hughes – que foi vítima de um ataque cardíaco – sempre gravou filmes para o público adolescente. No começo dos anos 80, escreveu o roteiro do primeiro “Férias Fustradas”, estrelado pelo sensacional Chevy Chase. O longa foi recebido com entusiasmo, o que alavancou sua carreira. A partir daí dirigiu "Gatinhas e Gatões" (1984), "Clube dos Cinco" (1985) e “Curtindo a vida adoidado” (1986) que é considerado um verdadeiro clássico da geração dos anos 80/90. O que ainda me chama atenção no mais famoso filme de Hughes é a antológica cena em que Ferris dubla Twist and Shout, dos Beatles, para uma multidão ( e é agraciado por ela) que prestigiava uma parada alemã nas ruas de Chicago. É importante ressaltar que a música dos rapazes de Liverpool, voltou as paradas de sucesso depois de 20 anos de seu lançamento, por causa da repercussão do filme. O longa é envolvente e não tem como não se empolgar com Ferris Bueller e com as trapalhadas neuróticas do diretor do colégio. Salve Ferris!

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Disque "M" para matar

Sou fã de filmes antigos. Não me importa o quão velho. Cresci assistindo a obra de cineastas com Ingmar Bergman, Alfred Hitchcock, Elia Kazan, Frank Capra, Orson Welles, Stanley Kubrick, Michael Curtiz, entre muitos outros grandes nomes. Um dos primeiros grandes clássicos que vi foi "Disque M para Matar"(1954), de Hitchcock. Outro dia tive a oportunidade de rever o filme e de reafirma-lo como um dos melhores que já vi. A história fala sobre um ex-tenista profissional que sabe da antiga traição que sofreu e deseja matar sua rica esposa para ficar com a herança. Em busca de um plano perfeito, que não permita falhas, e com a precisão de um relógio, chantageia um velho amigo para realizar o "serviço". Através de tomadas longas, o diretor extrai grandes cenas, com ótimas atuações de Robert Cummings, Ray Milland e da linda Grace Kelly. Contrariando a máxima da época em que todo filme de mistério deveria começar com um assassinato, Hitchcock monta sua película girando em torno do planejamento de um. O diretor não é considerado o mestre do suspense á toa. Ele ousava e rompia limites transcedendo o lugar-comum sem orçamentos milionários ou grandes recursos técnicos. "Disque M para matar" não consta na lista dos filmes mais apreciados de Hitchcock pelos críticos de cinema. Porém está na minha.

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Cinema no parque

A prefeitura de São Paulo conseguiu trazer uma boa atração cultural gratuita no parque do ibirapuera, mas escolheu o fim de semana errado. Com a chuva, frio e previsão de o tempo continuar o mesmo, pouquíssimas pessoas irão se aventurar para prestigiar o projeto francês "Cinema ao Luar", que comemora o ano da França no Brasil, do dia 24 a 26. O site do Auditório Ibirapuera dá mais informações sobre o evento, mas tira um sarro da cara do cidadão. Segundo a página: " A idéia é que o público tenha a oportunidade de curtir o frio, e que ele chegue preparado para isso com mantas, casacos, guloseimas e lixinho. Tudo o que for preciso para garantir uma noite agradável de inverno ao ar livre". Ah! Quer dizer que as condições do tempo são favoráveis para a exibição dos filmes e para as apresentações musicais? O secretário da cultura, Carlos Augusto Calil e o prefeito Kassab estão de brincadeira. Já que o objetivo do projeto é promover, de maneira gratuita, o cinema francês e a música brasileira, acredito que os senhores estarão presentes. Certo? E não me venha com a conversa fiada que o evento já estava previamente marcado. Não estarei no parque amanhã ás 18h, para acompanhar um de meus filmes favoritos, mas quem tiver coragem de enfrentar o frio e a chuva, com certeza não sairá de lá triste ou decepcionado. Assisti ao "Fabuloso destino de Amélie Poulan" na casa de um amigo, e sem nenhuma expectativa em 2002. O filme francês dirigido por Jean-Pierre Jeunet, é daqueles que eleva a alma. Simples, leve, fácil de se envolver e com uma narrativa diferente que ás vezes lembra a leitura de um livro por tantos detalhes minuciosos. A história roda em torno de Amélie, uma garota tímida, criada longe do convívio social, que em um dia normal em sua casa, descobre um novo mundo a partir de um acontecimento. A partir deste momento a jovem se engaja na realização de pequenos gestos a fim de ajudar e tornar mais felizes as pessoas a sua volta. Sem dúvida nenhuma é um grande filme! Assistiria novamente tranquilo, principalmente no cinema ao ar livre no parque, mas com essa chuvinha, é melhor assistir o dvd.

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

O grupo Baader Meinhof

No último fim de semana assisti a um filme que me fez querer vê-lo novamente. E fazia tempo que não via algo bom. E bem longe dos Estados Unidos, que tem se repetido constantemente com poucas coisas boas e inovadoras. "O Grupo der Baader" é uma produção compartilhada entre Alemanha, França e Repúblilca Tcheca, com a direção de Uli Edel. O filme conta a história de pouco mais de uma década do RAF, na Alemanha - grupo político extremista que atuou no final dos anos 60 e 70. A adaptação é um retrato da ideologia motivada pelo espírito de maio de 68. O radicalismo de jovens criados no período pós-nazismo liderados por Andreas Baader, Gudrun Ensslin e Ulrike Meinhof, levou até as últimas consequências sua batalha esquerdista na tentativa de barrar o imperialismo americano, os governos totalitários e romper o pensamento fascista. O roteiro do filme é um mergulho profundo nos bastidores do grupo Baader Meinhof. É muito interessante compreender como foi criado, sua evolução e ruína, além do contato que a facção mantinha com outros grupo internacionais. Na escassez de bons filmes na atualidade, recomendo de olhos fechados, e quando puder, assisto de novo! Com eles bem abertos...

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domingo, 5 de julho de 2009

A Partida / Departures

Daigo Kobayashi é um jovem casado que acabou de ser dispensado da orquestra na qual tocava violoncelo. Vagando pelas ruas sem emprego, e com poucas esperanças em relação à carreira, o rapaz decide voltar à sua cidade natal na companhia da esposa que aceita prontamente. De volta ao interior do Japão, o único trabalho imediato que lhe aparece é como "nokanshi", uma espécie de coveiro especial, responsável pela cerimônia de lavagem e vestimenta dos mortos antes que suas almas caminhem para o outro mundo. Daigo comporta-se com seriedade, algo como um burocrata, um porteiro entre o céu e a terra. Ocorre que seu trabalho é simplesmente desprezado por sua mulher e por todos ao seu redor, mas é através da morte que todos os personagens entendem o verdadeiro sentido da vida.



O filme japonês ganhou o oscar de melhor filme estrangeiro neste ano e merece muitos outros prêmios. Até porque a estatueta dada pelos americanos para mim não vale nada. A boa fotografia e a trilha sonora são sensacionais! Tomando como gancho a passagem de Daigo por uma orquestra, a trilha é composta somente de grandes instrumentais com, claro, muito violoncelo. É o tipo de som que eleva a alma e deixa o clima perfeito para o espectador se envolver. Ainda mais com as grandes atuações.

Assisti este grande filme antes de uma semana em que tive uma perda muito forte. Mas a realidade é que nada se perdeu. É somente uma breve despedida. A mensagem de “Partidas” é passada com muita sensibilidade e bom humor. Não há nada para se ficar triste. Estamos aqui em uma missão pela paz, numa passagem evolutiva, buscando conhecimento e superação para continuar caminhando em outras esferas. A morte é só uma partida. Ela não existe. Estamos aqui só de passagem. Espero aproveitar e muito a minha.

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sexta-feira, 15 de maio de 2009

À Margem da Imagem

Nós passamos por eles quase todos os dias. Os moradores de rua parecem inexistentes ao nosso lado, como se não existissem ou não estivessem ali. O olhar das pessoas evita o contato visual direto. Eles só são lembrados quando são objetos de algum tipo de interesse ou incomodam alguém. O "roubo" da imagem dos moradores de rua é muito bem retratado no documentário "À Margem da Imagem" (2003), de Evaldo Mocarzel. O filme mostra as rotinas de sobrevivência, o estilo de vida e a cultura dos moradores de rua na cidade de São Paulo. Alguns temas como exclusão social, desemprego, alcoolismo, loucura, religiosidade, espaços públicos, degradação urbana, identidade, cidadania, são abordados no excelente documentário, promovendo assim uma discussão que deveria passar por todas as esferas da sociedade. Diferente do pensamento de uma colega minha que acredita que as drogas levam as ruas, creio que cada morador de rua tem sua história e seus próprios motivos. Isso fica bem claro no documentário. O filme traz uma nova visão para encararmos a realidade de uma forma diferente.

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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Do luto à luta

Quem acompanha o blog já percebeu pelas dicas de cinema que sou apaixonado por documentários. O último que vi, e que recomendo muito é “Do Luto à Luta”, de Evaldo Mocarzel. O filme dá voz aos portadores da síndrome de down e suas famílias. É esclarecedor, emocionante e revelador dos preconceitos existentes e das potencialidades das pessoas que nascem com a síndrome.

A abordagem dada pelo diretor mostra como os down se vêem, e como a família começou a lidar com o assunto, após receber a notícia. Ao longo do filme, conhecemos jovens que dançam, namoram, casam, têm desejos e planejam suas vidas normalmente contrapondo estigmas sociais. Assista o vídeo abaixo e se quiser vá seguindo por pedaços. Parabéns Mocarzel por Do Luto à luta” e por “À Margem da Imagem”. O segundo filme é assunto para outro post.



Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8 – Final Follow Fabricio_blog on Twitter

terça-feira, 21 de abril de 2009

Valsa com Bashir

Uma noite em um bar, e Ari Folman conversa com um amigo sobre um pesadelo recorrente no qual é perseguido por 26 cachorros ferozes. Repetidas noites, o mesmo número de cães. Os colegas chegam à conclusão que existe uma ligação com a participação dos dois na guerra. Folman fica surpreendido pelo fato de não se lembrar de nada desse período da sua vida. Intrigado por este enigma, decide entrevistar velhos amigos por todo o mundo. Ele precisa descobrir o que o atormenta e porque as lembranças foram apagadas. Enquanto Ari se envolve cada vez mais no mistério, a sua memória começa lentamente a despertar imagens surreais.

Em vez de transformar sua experiência em revolta, mágoa ou livro, o diretor Ari Folman preferiu um filme. Para reforçar a narrativa, ele resolveu fazer um documentário inteiro em animação. E o resultado é Valsa com Bashir. O que o filme tem de mais original é sua forma e estrutura. Ele copia os rostos das pessoas reais e as torna personagens, com a dublagem trazendo a voz original.

No final do filme, o diretor traz algumas sequências reais, imagens de arquivo, que nos inserem de vez a realidade. O documentário de Folman me impressionou pela busca de uma verdade que ninguém que conhecer, nem mesmo o próprio, mas que necessita ser desenterrada. E aí está a verdadeira e horrível força de Valsa com Bashir. Poderia ser somente uma animação que relatasse fatos fictícios, mas a realidade ás vezes pode ser bem mais cruel. Assistiria novamente sem dúvida. Muito bom!

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sexta-feira, 10 de abril de 2009

O equilibrista

Não tenho medo de lugares altos, mas olhar para baixo no alto de um prédio dá um certo tremor nas pernas. Tive essa impressão sentado na cadeira do cinema assistindo ao documentário “O Equilibrista”, de James Marsh. O filme reconstitui com grande riqueza de detalhes e em clima de suspense a incrível aventura do francês Philippe Petit, que há 35 anos andou sobre um fio de aço estendido entre as Torres Gêmeas, no World Trade Center, em Nova York.

A grande façanha de "O Equilibrista" é não se esgotar na descrição desta grande aventura e suas conseqüências. O filme mostra os preparativos da ação, contando com depoimentos do próprio Petit e seus amigos. Além disso, recorre-se a imagens filmadas em Super 8 e fotografias realizadas pela irrequieta trupe à época.



O documentário retrata a fascinação que mantém essa estranha paixão de quase voar tão longe do chão, e que é a própria razão de viver de Petit, hoje com 60 anos, captando também, o clima libertário e contestador de sua época. Fui assistir ao filme e garanto a vocês a sensação de “pernas bambas”, garantida pela loucura de atravessar uma corda à 450 metros de altura, com 60 metros de distância. A insanidade toma níveis extremos quando o equilibrista começa a fazer sua apresentação em cima da corda, que durou 45 minutos. Não é á toa que este feito ficou conhecido como o “crime artístico do século”.

Recomendo uma passada no cinema! O filme que ganhou a porcaria do Oscar, mas que é muito bom, está em cartaz em duas salas na cidade de São Paulo, boa sessão!



Reserva Cultural Sala 2
Sessões: 14h, 15h50, 19h50, 21h40.
Avenida Paulista, 900
Bela Vista/Centro
Tel.: 3287-3529

Cine Bombril Sala 2
Sessões: 14h, 16h, 20h, 22h.
Avenida Paulista, 2073
Jardins/Paulista
Tel.: 3285-3696


Fontes:
Uol
Guia da Folha Follow Fabricio_blog on Twitter

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O escafandro e a borboleta

Fui nesta semana ao cinema. Não estou amargo com a vida, nem com raiva de nada. Na verdade estou bem feliz! Tudo bem, que sou um pouco chato para analisar filmes, mas prefiro achar que sou consciente. Tenho frequentado o cinema regularmente, mas não vejo nada que me agrade faz muito tempo. Histórinha clichê na Índia, fórmula antiga e gasta em uma adaptação barata de um conto de Fitzgerald, suspenses que te fazem querer que o final chegue logo, mas para ir embora o quanto antes da sala, entre outros filmes, que são boas atrações para tirar uma soneca na sessão da tarde de sábado.

Puxando na memória, faz um ano que assisti a uma película que realmente valeu cada centavo que paguei. O filme "O escafandro e a borboleta", me impressionou por vários motivos. Em muitas cenas, o objetivo do diretor, Julian Schnabel, é de colocar o espectador na posição do protagonista. O filme retrata a história real de Jean-Dominic Bauby, - editor da revista Elle francesa, que sofreu um derrame cerebral, perdendo sua locomoção e movimentando somente o olho esquerdo.

Bauby tirava seu sustento do mundo das aparências, e de uma hora para outra seu corpo se tornou um constrangimento. Dentro desse "escafandro", o protagonista raciocinava normalmente, mas precisou aprender a se comunicar com o mundo de forma restrita, mais exatamente, com o olho esquerdo. Piscar uma vez é "sim", duas vezes é "não".

Durante os primeiros trinta minutos, não vemos o rosto do personagem principal. Schnabel só mostra o rosto torto de Bauby em uma cena em que o personagem decide parar de ter pena de sí mesmo, num momento em que a "borboleta" sai do casulo. A fotografia é espetacular, assumindo não apenas o ponto de vista de quem conta a história, como transformando sua visão turva e limitada num carrossel de experimentos visuais e sensoriais em que os atores encaram a câmera o tempo todo. Mudanças de lente e de foco ampliam o mal-estar que o diretor impõe. Um trabalho impressionante que precisa ser visto para dar conta de sua totalidade

A história real de Jean-Dominic Bauby é diferente de outras tragédias por seu modo de superar seu estado. Ele chegou a ditar um livro inteiro - as suas memórias, que dão nome ao filme - somente piscando. O Escafandro e a Borboleta (Le Escaphandre et le Papillon, 2007) conta uma história emocionante, sem banalizar a condição de Bauby. É um filme mais poético e menos choroso. Pena que alguns críticos não tenham captado a mensagem. Ou ser diferente neste meio é importante para não cair na vala comum? A minha avaliação é ótimo! E quando eu achar o dvd, compro.

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