sábado, 15 de dezembro de 2012

Desabafo de um ex-louco


Não sei exatamente quando foi que comecei a me desvencilhar do pensamento apaixonado que não me deixava enxergar à mais de dois palmos a frente. Talvez tenha sido no lento processo de apreciar o futebol e o jornalismo esportivo de uma maneira completa. Pode ser. O certo é que antes era tudo branco e preto, e por isso, não existia espaço para cogitar sequer falar sobre outras cores. A conversa comigo sobre assuntos que envolviam outros clubes era baseada no discurso vazio da paixão. O meu time é melhor porque é, e pronto! O time que torço tem a maior torcida, a que vai mais ao estádio, possuímos grandes conquistas e amamos mais essa camisa em comparação com o amor que os outros torcedores têm pela camisa adversária.
            
            Entretanto, esse tempo se foi e me desgarrei da manada de loucos que é guiada por uma visão turva, embaçada, completamente deturpada, fato que não é diferente em outros clubes. Pelo contrário. Todos os times grandes, seja de qualquer Estado, têm uma massa de pessoas que acredita veementemente que sua agremiação é superior, acreditando em elaboradas teorias. E poxa, não tem nada demais deixar o fanatismo exacerbado tomar conta. É uma escolha, um direito do torcedor. No entanto, não venham destilar esse papo abjeto de que cartolas corruptos só existem em clube ‘a’ ou ‘b’, ou que o campeonato ‘x’ foi comprado, entre outras tantos vômitos de palavras em vão, sem provas, sem cabimento. Neste caso, o torcedor tem absoluta certeza que a grama do seu quintal sempre é mais verde que a do vizinho.
            O pior é onde esse pensamento leva alguns fanáticos. Surge, então, o discurso de ódio que vem amparado, além de outros argumentos, através das supostas irregularidades do adversário. “Seu time é isto, é aquilo e por isso vou dar muita risada se for para a segunda divisão do campeonato”. Tá. A aversão, raiva, repulsa pelo outro alimenta um sentimento ruim que ainda deseja a segregação. “Eles lá se ferrando, e nós aqui ganhando títulos”. Está aí a máxima desses devotos: desejar a ruína do adversário até que ele sucumba e aceite a soberania do outro. Somente importa o predomínio total e irrestrito desta esquadra fantástica de jogadores. O resto é balela, e é bom o oponente aceitar, caso contrário, a pancada come solta como nos ‘bons’ tempos feudais. Tudo isso em nome da bola. Tudo em nome de gols e títulos magníficos. 

            A arte só pode ser realizada por 11 jogadores de camisa ‘y’. Imagino como seria a comemoração de alguns ‘apaixonados’ ao observar a decadência do adversário que caiu no abismo e se apequenou a ponto de fechar as portas. Certamente, tal fato seria comemorado por alguns irracionais que não vêem que um time grande depende do outro. E definitivamente, o futebol iria se tornar reduto para os verdadeiros campeões, donos da soberba, da empáfia da bola e do melhor time de futebol de todos os tempos.
 
  

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Um comentário:

Tania Marcia Santos disse...
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