segunda-feira, 12 de julho de 2010

O descaso da Sub-Prefeitura de Pinheiros envergonha o Brooklin

O dia nasce no bairro do Brooklin na zona sul de São Paulo, e aos poucos o movimento na região começa a crescer: motoristas caçando uma vaga para seu carro, transeuntes indo de lá para cá para chegar na hora certa em seu trabalho. Os prédios comerciais envidraçados na avenida Luís Carlos Berrini, e os apartamentos residenciais que são construídos próximos a Ponte Estaiada, começam a mudar o perfil desta parte do bairro. Essa cara nova começou a mudar a alguns anos, com a construção da ponte, novos empreendimentos e a remoção da Favela Jardim Edite. A prefeitura fez de tudo para tirar os barracos do local, e conseguiu, com a promessa de urbanizar o local construindo prédios populares. Essa promessa também foi uma obrigação, afinal, o terreno faz parte da Operação Urbana Água Espraiada, e está classificado no Plano Diretor como uma Zona Especial de Interesse Social – o que obriga o poder público a criar projetos de habitação no local para acomodar os antigos moradores com recursos dos CEPACs (Certificado de Potencial Adicional Construtivo), que são instrumentos de captação de recursos para financiar obras públicas – os investidores interessados compram do poder municipal o direito de construir além dos limites normais em áreas que receberão ampliação da infra-estrutura urbana. Explicando melhor: os apartamentos de alta classe que estão sendo erguidos no meio de um bairro onde existiam somente casas, foram permitidos porque as empreiteiras compraram Certificados de Potencial Adicional Construtivo, o que gerou dinheiro para a realização do projeto de urbanização - que não sai do papel. Essa é a única garantia que as pessoas que moravam na favela têm. De acordo com a SEHAB - Secretaria Municipal de Habitação - o projeto de urbanização está pronto e prevê a construção de 252 apartamentos, distribuídos em 6 prédios, além da instalação de uma creche, uma AMA (Assistência Médica Ambulatorial), uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e uma escola técnica de gastronomia.

O que impede que o projeto siga em frente é a resistência legal de um morador que vive com sua família no meio do terreno após entrar com uma ação de usucapião, e o interesse imobiliário que visa o terreno a mais de 20 anos. Além disso, existe a negociação da prefeitura para desapropriar a casa de um morador de uma residência particular, inserido no terreno e o descaso do poder público em recolocar as famílias de baixa renda de volta ao local. Após um ano da remoção da favela, o novo cartão postal de São Paulo esconde ao seu lado atrás de um alto mato que cresceu, uma montanha de entulho que permaneceu no local. Quem passa na Avenida Roberto Marinho (antiga Águas Espraiadas) nota claramente como a vegetação cresceu por cima de uma verdadeira montanha de entulhos. O terreno se tornou ponto viciado de lixo e entulho: É sofá, colchão, pneus, corpos de animais mortos em plena decomposição e no meio de tanto mato é possível se livrar até de um cadáver humano. Como se isso já não fosse demais, na ponta do terreno, a praça Arlindo Rossi, também sofre. A situação se repete: entulho de todo o tipo aparece toda a semana represando uma água suja a mais de dois meses, fora que os funcionários de uma das obras vizinhas utilizam a praça como lixeira, e deixam na mesma todo tipo de lixo e resíduos. A Sub-prefeitura já foi notificada e pouco se importa. De nada adiantará a nova lei que a Câmara aprovou, que prevê o aumento da multa para quem deposita entulho na rua de R$500 para R$12 mil. Falta fiscalização para flagrar os sujinhos que não conhecem os "ecopontos", e além disso a nova legislação depende da sanção do Prefeito Gilberto Kassab (DEM). Haverá uma solução? O sol se põe no fim da tarde, e mais um dia de descaso com o bairro se vai. No vídeo abaixo, a situação exposta na postagem de hoje fica clara para quem quiser assistir. Relembrando uma música da ‘Plebe Rude’ os moradores da região, e as pessoas que residiam na favela e aguardam uma solução se perguntam: “Até quando esperar?”


Foto e Vídeo de Fabrício Amorim.

Leia o que já foi publicado no blog sobre a remoção da Favela Jardim Edite:
http://farofaapimentada.blogspot.com/2009/03/vizinhos-de-altos-interesses.html
http://farofaapimentada.blogspot.com/2009/06/o-rapper-sabotage-criado-nos-becos-do.html
http://farofaapimentada.blogspot.com/2009/05/conversando-com-paredes.html Follow Fabricio_blog on Twitter

4 comentários:

jorginhomato disse...

No meu bairro é a mesma coisa. Entulho num paredão perto da minha rua que é um absurdo e a prefeitura nada faz!! FAlta também educar os sujinhos. Quem sabe a multa não pese no bolso e na mente de quem vai jogar agora!

Marcelo M disse...

Injusta a tua afirmação que o que emperra o projeto é a resistência de um único morador que conseguiu o usucapião. Pelo contrário, é por causa da resistência de pessoas como este morador que o poder publíco e a sociedade por vezes são obrigados a atender as reinvindicações e as necessidades daqueles exatamente mais necessitados.

Fabrício Amorim disse...

Marcelo, vc mora na região, ou morou na comunidade? (não me leve a mal, só por curiosidade)

O morador tem todo o direito de reinvindicar e deve mesmo procurar seus direitos!! Sou plenamente a favor disso! O homem que mora lá com sua família está correto e demonstra conhecer seu direito de moradia em não ter aceitado as absurdas propostas da EMURB e da SEHAB.

Mas algumas coisas estão bem claras:

A Prefeitura não demonstra vontade de tirar o projeto do papel e usa como desculpa a permanência do morador no terreno para não começar a obra. Tá na cara a real vontade da Prefeitura em largar o terreno nas mãos da especulação imobiliária, mas como se trata de uma ZEIS, não pode fazer isso a não ser que mudanças no Plano Diretor sejam feitas. Minha afirmação não é injusta, mas sim bem clara. Não quero ser o dono da verdade, mas concorda comigo caro Marcelo?

Fabrício Amorim disse...

O problema do entulho na praça foi sanado. É importante fazer barulho para acordar a subprefeitura. Agora o terreno permanece do mesmo jeito. Vamos ver até quando!